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quarta-feira, 27 de março de 2013

O medo e seus danos



O medo é consequência de algo que nossa consciência teima em admitir ser muito difícil de realizar ou de continuar a salvo, em segurança, nossa aclamada segurança. Muitas pessoas têm medo de altura, pois acham que homens e lugares muito altos não combinam. Que é insano se arriscar a um local onde “ninguém” tem o controle. Outros tantos têm medo de cobras, animais venenosos e que dão muito medo. Há os que tem medo do escuro, uma situação em que não podemos ver, ficamos vulneráveis.

Sabe do que eu tenho medo? Ah, de muitas coisas. Tenho medo do dia em que eu perder minha mãe, tenho medo de alguém me machucar tão intensamente que meu coração perca a esperança no ser humano, tenho medo do meu país continuar do jeito que está, tenho medo do mundo continuar do jeito que está. Tanta miséria em lugares que a maioria de nós nunca viu. Tanta violência, intolerância, ganância, falta de amor e de paz. Sim, eu também tenho medo de caranguejeiras e dentistas. Morro de medo de dentistas. Mas se eu for comparar com os medos citados primeiramente, nem sequer dá pra começar.

Há uma frase que eu acho bárbara: “Coragem não é a ausência do medo, e sim a vontade de vencê-lo”. Não me recordo agora de quem é a autoria, mas para mim, não existe melhor definição de coragem. Ter medo é normal, todo ser humano tem. O que não pode acontecer é deixar o medo ser maior do que as coisas que precisam ser mudadas, vencidas.

O alto dá medo sim, lá tudo pode acontecer, o tempo é a natureza quem comanda e, essa, nenhum ser humano tem um dedinho mínimo de controle. Mas está cada vez pior viver aqui em baixo, no solo firme. O céu, comparado ao chão, é o lugar mais seguro do mundo. Lá, jovens, cada vez mais novos, crianças a bem da verdade, não morrem todos os dias envolvidos com drogas. Acidentes de avião acontecem, mas acidentes de motos são tão constantes como nascimentos.

As cobras são animais venenosos, perigosos e que provocam medo mesmo presas. Muito medo mesmo. Mas quantas cobras andam disfarçadas de ser humano por aí? Quantas pessoas roubam, matam, mentem, dissimulam, sacaneiam, humilham? Isso dá muito medo a mim. A vocês não? As cobras/animais pelo menos não pensam. Já o ser humano...

O escuro, famoso por deixar-nos às cegas, é um “metedor” de medo infalível. Mas tem gente que, sinceramente, eu prefiro ver no escuro. Não pela aparência, mas porque ,definitivamente, eu faço questão de nem ver mesmo. É muita falsidade pra uma pessoa só.
 Quanto ao medo do meu país e do mundo continuarem como estão, não vejo nenhum lado bom.

Acho que todo filho (a) tem medo de perder a mãe. Mas querendo ou não, uma hora isso vai acontecer. E vá por mim, você sofrer perdendo ela é melhor do que ela sofrer ao te perder. Porque nenhuma mãe merece se despedir de um filho para sempre. Por isso, trate de aproveitar cada momento com ela.

Medos de altura, de animais, de escuro e até mesmo de dentista – sim, por eles assustam – não chega nem perto de fatores que merecem relevância dentre nossos medos bestas. Medos bestas porque muitas vezes deixamos escapar a felicidade. Eu tenho medo sim de me machucar, acho que todos têm. Mas não é por isso que vou me fechar à vida. Por medo, deixamos de dizer aquilo que deu vontade, deixamos de fazer aquela viagem, de aceitar aquela proposta. Por medo deixamos tanta coisa passar. Acabamos por assinar nosso próprio contrato de infelicidade e isso me dá medo, mais do que tudo. 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O que poderia ter sido

Você já se perguntou o que pode mudar a vida de uma pessoa completamente? Até que ponto podemos mudar o rumo de nossas vidas?

***
Havia um menino, que morava, com seus pais e três irmãos mais novos. Seu nome era João. João vivia numa casa muito pequena, seu pai bebia muito e quando chegava à noite batia nele, nos irmãos e na mãe, se caso fosse defendê-los. No começo ela sempre os defendia, mas à medida que eles foram crescendo, começou a achar que eles já eram grandinhos o suficiente para defenderem a si mesmos. João não entendia o porquê de seu pai o bater e o de sua mãe não o defender.

Com o passar do tempo, João começou a entender exatamente o que seus pais haviam lhe ensinado: a vida é como uma selva. Vence o mais forte, tendo que aprender a defender-se sozinho. Não ligava para os estudos, muito pelo contrário, aprontava de todas na escola onde estudava. Não tinha medo nem da diretora. Juntou-se com os garotos mais velhos, de maioridade, inclusive. Começou a roubar. Viciou-se nas drogas e numa de suas noites drogado, chegou em casa e seu pai estava batendo no seu irmão mais novo. Ele parou, por um momento, para insultar João, chamando-o de drogado, ladrão, bandido... João, porém começara a andar armado.



Preciso falar mais alguma coisa? De um lado a ignorância e do outro lado intolerância. Atitudes mais escolhas erradas é igual a um resultado nada bom.

Bom, vou precisar falar sim. Pois João não começou a roubar, não entrou para o mundo das drogas. Ele conheceu outro mundo: o da leitura. 
João gostava muito de escrever. Só que na sua casa não havia nenhum livro – nem a Bíblia. Seu refúgio, então era a escassa biblioteca de sua escola. Primeiramente, seu interesse eram as histórias fictícias, de lutas, batalhas, heróis e vilões. Só que sua paixão pelas palavras ganhou maiores proporções, lia de um tudo: português, história, biologia. João cresceu e se tornou um grande escritor. Seu pai morreu no ano de sua formatura no curso de letras. João, á medida que ia se tornando um homem, não havia deixado seu pai encostar um dedo em nenhuma das pessoas que ele amava. Sua mãe não havia mudado muito. Apesar de tudo, ela sempre esteve ali, para ajudá-lo a concluir seu curso. Seus irmãos viam nele um exemplo a ser seguido. João não tivera muita sorte ao nascer (onde nascera), mas isso nunca foi desculpa para torná-lo amargo ou fazê-lo optar por caminhos errados.

Dois caminhos, dois rumos diferentes, duas realidades distintas. O primeiro levaria João à cadeia ou ao cemitério. Seus irmãos também não teriam destinos diferentes. Seu pai, não teria morrido de morte ‘morrida’. Provavelmente muitos garotos teriam comprado as drogas revendidas por João – obviamente, isso não impede de outros o fazerem. Mas isso mostra que do mesmo jeito que João escolheu o caminho certo, outros também podem fazer.

E assim como os livros, as palavras, mudaram a vida de João. Os livros, as palavras de João podem mudar o rumo de muitas outras vidas. E não é só escrevendo um livro que podemos mudar as pessoas, deixar uma gota no oceano. Ajudando aos que precisam, dando um abraço sincero, dando um bom dia, ouvindo os outros, sendo pacientes com os idosos e crianças. Com um simples gesto, podemos mudar o mundo. Cada atitude no presente é um tijolo do futuro. E uma vida pode SIM influenciar e até mudar outras.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Olhar




Mesmo com todos os problemas que enfretamos diariamente, conseguimos sempre rir de baboseiras. E você já pensou que talvez esse seria o sentido da vida? Talvez tenhamos tanta "fome" por momentos tops, que acabamos menosprezando o que faz cada dia valer a pena. Todos queremos crescer rapido demais. Pra quê? Pra quando chegar lá, querer voltar a ser criança.

Uma vez, isso não faz muito tempo, mas na minha cabeça fazem séculos, fiquei olhando pra minha imagem refletida no espelho e imaginando o que veria daqui a uns 20, 30 anos. Na boa, não cheguei a nenhuma conclusão. Pois quem é que sabe o que a vida, o futuro nos reserva? Só queria que três coisas não se perdessem na minha essência: cantar - cantar mesmo quando meu coração estiver estilhaçado, cantar mesmo quando minha coragem estiver fraquejando, cantar mesmo que me digam que não devo cantar, mesmo que as coisas pareçam difíceis; escrever - escrever e encontrar palavras que possam expressar meus sentimentos, meus medos e meus ideais; e sorrir encabuladamente - amo o sorriso encabulado.

Que eu sempre seja capaz de encontrar e reencontrar a mim mesmo. E acima de tudo, que eu sempre saiba onde encontrar a Deus, e vice-versa.