terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Complexamente Ana

Ana, por muito tempo, pensou que a vida era feita de sonhos (daqueles bem gostosos - que comprados na padaria o que.. - feitos pela vovó. Todos riam da cara dela e ela nunca entendia o porquê. Mesmo assim, ela nunca deixou de acreditar em suas mirabolantes definições do universo:
  - Que as nuvens eram de algodão doce branco;
  - Que o melhor presente do mundo seria um pônei;
  - Que Papai Noel, na verdade, era o codinome de Deus - uma forma que ele encontrou de poder conversar pessoalmente com as criancinhas;
  - Que lágrimas eram uma forma de chuva especialmente do ser humano;

Ana nunca conseguiu convencer ninguém a respeito dessas ideias. Mas também ninguém a conseguiu convencer do contrário. Parece estranho uma mulher de 27 anos pensar dessa forma. Ana me lembra uma criança. Será Ana uma criança? Uma criança com alma e coração tão puros que ninguém consegue perturbá-la. É assim que a vejo. Ana adorava sorrir, mas em compensação chorava pela folha que caia da árvore no outono. Não entendia o motivo de tanta maldade nem desigualdade nesse mundo. Não entendia por que o ser humano as vezes é tão destrutivo. Ao mesmo tempo que não entendia como o ser humano pode ser tão maravilhoso e guardar tantas surpresas boas dentro de si. Isso ela via que dependia de cada um. Nenhum era igual ao outro, nem possuia os mesmos defeitos e qualidades. Ana adorava cantar e dançar e não era a melhor em nenhuma dessas atividades. Mas a vontade de fazê-las era maior que o medo de não ser tão boa. Ela aprendeu muito cedo que cada ser humano é responsável pelo cativa no próximo. E que tudo na vida tem sua reação. Sempre admirei Ana, pelo que ela cativou em mim.

*Texto em homenagem a minha mãe*

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

A saúde no Brasil está mais para um mito


              

   Terça-feira, uma matéria/reportagem chama a atenção e choca no Jornal Nacional. Em outras circunstâncias seria apenas mais um idoso que morre em consequência de uma doença já avançada. Mas a doença só não foi o a causa da morte. Uma vida foi tratada como lixo, assim como ocorre todos os dias para muitos que dependem da saúde pública brasileira.
    Tudo começa com uma simples chamada telefônica. O senhor em questão passou mal e ao chamar a emergência o caso foi ignorado, alegando que não havia ferramenta adequada para transportar o paciente no carro do SAMU. O atendente ainda foi além: desligou na cara do cidadão que estava na linha. A reportagem teve grande repercussão. Mas por que será que o choque foi tão grande já que casos como esses se passam todos os dias no país?
   A resposta é simples e muito, muito triste: acomodação, costume, habito. Acostumamo-nos a ser tratados como lixo. Em PSF’s e hospitais faltam médicos, remédios, ferramentas necessárias para que o profissional que ainda existe possa realizar seu trabalho, no mínimo, decentemente. Ocorre a carência de profissionais porque se paga mal ou não se paga nada. Quem estudou tanto, primeiro para passar no vestibular e depois, e mais importante ainda, para sobreviver aos cinco anos dentro de uma universidade, não quer ganhar o que está sendo oferecido em redes públicas, que é necessário ser dito é uma humilhação e não só para o médico.Muitos estão nas ruas a lutar contra a entrada dos médicos estrangeiros no país. O fato é que muito tem para se aprender não só com a tecnologia como a experiência do estrangeiro, mas dar lugar ao de fora enquanto o brasileiro ainda não tem seu espaço também não ajuda muito.
   O cenário é o seguinte: macas no meio dos corredores, junto com outros pacientes que também ficam expostos a vírus que ainda não possuíam. Isso quando há macas. Porque cadeiras, muitas vezes se “transformam” em macas circunstanciais. Ou seja, estruturas hospitalares inadequadas só para começar. Locomoção então nem pensar. Ambulâncias guardadas para poupar gastos. Só que tal poupança não vai para cofre público e sim pessoal. Como é o caso de investimentos em construções de redes hospitalares, onde metade do dinheiro investido vai para o bolso de figuras que estão nos cargos de grande responsabilidade.
    Uma série de fatores transformam a saúde pública em mito. Mito porque ninguém mais tem o direito de ficar doente. Mito porque mesmo sendo um dos únicos sistemas universais de saúde pública do mundo, o Brasil ainda tem muito que aprender. Melhorar, evoluir, saber que temos sim o direito à saúde e que não é um mito. Mas primeiro tratemos de encontrá-lo. Esse direito parece que se escondeu. Não consigo enxergá-lo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Como uma criança num parque de diversões


Pouco a pouco avançamos. Avançamos para uma sociedade cada vez mais desumana. Pensamos ou de mais ou de menos. Queremos tudo rápido. Amamos pouco. Julgamos muito. Pouco a pouco nos tornamos medrosos. Um medo pior que quaisquer outros. Com o tempo, adquirimos o medo de sermos nós mesmos por temermos o julgamento alheio. Quando ninguém deveria julgar ninguém já que todos estão e são falhos. Paramos de fazer coisas por prazer pra fazer o que esperam de nós.



Meu pai queria que eu fizesse direito. Que pai não queria? É... pouquíssimos! Eu bati o pé e disse que queria jornalismo. Mas jornalismo não ganha muito. E daí? É o que eu gosto. Amo as palavras. Os seus significados. Adoro vê-las prontinhas, enfileiradas querendo dizer alguma coisa e sendo apreciadas por quem as lê. Acreditam que meu pai queria se meter até nos meus sentimentos? Dizer quem eu devo gostar já é demais. Nossos pais são os primeiros a querer nos dizer o que fazer. E devemos seguir seus conselhos até certo ponto. Eles já passaram por um bocado de coisas que ainda passaremos (nós, jovens). E só desejam que não caíamos nas mesmas armadilhas que eles. Mas isso é impossível. Mesmo que não erremos os erros dos outros, temos nossos próprios, a nossa maneira, a nosso tempo.
De casa vamos para a escola, onde temos que ter as roupas da moda, o tênis maneiro, escutar as músicas que todos estão escutando, namorar porque os amigos estão namorando, etc. etc. Quantas coisas deixamos de fazer por que nos dizem que não é “certo”? Isso me lembra um trecho de uma canção “Prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.  Prefiro ser rotulada, blablabla... Todos tem um defeito na ponta da língua pra seu próximo. Realmente me irrita esse dom/necessidade que alguns tem de colocar os outros pra baixo e só assim se sentirem “completos”. Por isso é sempre melhor ter a mente aberta e não se deixar ser enganado por esses ladrões da alegria alheia. Como diz a Pitty, seja sempre você. Bizarro ou não, tem sempre alguém que vai gostar de você do jeitinho que é. Ame muito. Julgue nada ou quase nada. Saiba ver quando alguém está querendo te dar um toque ou um empurrão. Não tenha pressa, pois em quantidade excessiva, você acaba se transformando refém dela. Busque sorrisos em coisas simples e não espere coisas grandes para se sentir feliz. Seja como uma criança no parque de diversão. No final você percebe que uma coisa grande é aquilo que te faz bem. E só.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Rizoma do ser humano




Na Biologia, rizomas são caules subterrâneos que crescem, reproduzem-se e afastam-se do bambu, permitindo a colonização de novo território. No entanto, o termo é empregado filosoficamente para definir nossas raízes, subdivisões de nós mesmos. Hoje em dia é tão fácil rotular o outro, aquele é magro, aquele é gordo, já esse é “nerd”, vish aquela é emo. Rizoma são definições distintas de cada um. Bem, lá vai o meu:

Marayane: estudante (jornalismo), cinéfila (viciada em filmes), filha, mexileira, namorada, cantora, blogueira e escritora.

Rótulos são tão mais divertidos quando são dos mais variados. Não existe alguém que é apenas uma coisa. O legal da vida é conhecer, arriscar, ser tudo e experimentar.

Um pouco de nostalgia e realidade



       Quando eu era criança tudo era mais fácil. Eu não tinha que pensar muito. Na verdade, eu não pensava em nada, só em como as princesas da Barbie tinham sorte em sempre terem um final feliz ou aprender o ABC ou a somar um mais um, dois mais um... Não entendia como nem porque os adultos eram tão “maus”. Não sabia que ser adulto era tão difícil.
                Todas as decisões que eu tomo hoje vão sempre refletir em alguém. Tenho sempre duas alternativas: chorar ou levantar a cabeça e sorrir; fazer algo de mau gosto ou fazer bem feito; reclamar por aquilo que não tenho ou agradecer pelo que eu tenho, principalmente os valores.
                Percorrer o caminho da vida nem sempre é fácil. Há sempre momentos que te farão sofrer e chorar. Tenho aprendido todos os dias uma nova forma de levantar de um tombo, porque aquela de ontem já não vale mais pra hoje. Nem sempre sou forte o suficiente para levantar a cabeça e sorrir logo de primeira. Muitas vezes, o impacto é maior que o meu estado de espírito. Mas se tem algo que nessa vida eu tenho certeza é que nada que te acontece de ruim é maior que sua força pra enfrentá-la. É vivendo e sempre aprendendo. Não sou perfeita, nem tenho tudo o que eu quero. No entanto, tenho o que eu preciso e isso é só.
                Tenho um dom e um defeito (muitos, na verdade). Tenho, pelo menos, um amigo que vai me estender a mão. Tenho uma pessoa com o mesmo sangue que o meu que estará pra sempre ao meu lado e no meu coração. Tenho alguém que não tem o meu sangue mas que me ama e me aceita do jeito que eu sou. Tenho motivos suficientes para lutar, para estar alegre e para sonhar.

                Então, um brinde à vida que ela merece!

quarta-feira, 27 de março de 2013

O medo e seus danos



O medo é consequência de algo que nossa consciência teima em admitir ser muito difícil de realizar ou de continuar a salvo, em segurança, nossa aclamada segurança. Muitas pessoas têm medo de altura, pois acham que homens e lugares muito altos não combinam. Que é insano se arriscar a um local onde “ninguém” tem o controle. Outros tantos têm medo de cobras, animais venenosos e que dão muito medo. Há os que tem medo do escuro, uma situação em que não podemos ver, ficamos vulneráveis.

Sabe do que eu tenho medo? Ah, de muitas coisas. Tenho medo do dia em que eu perder minha mãe, tenho medo de alguém me machucar tão intensamente que meu coração perca a esperança no ser humano, tenho medo do meu país continuar do jeito que está, tenho medo do mundo continuar do jeito que está. Tanta miséria em lugares que a maioria de nós nunca viu. Tanta violência, intolerância, ganância, falta de amor e de paz. Sim, eu também tenho medo de caranguejeiras e dentistas. Morro de medo de dentistas. Mas se eu for comparar com os medos citados primeiramente, nem sequer dá pra começar.

Há uma frase que eu acho bárbara: “Coragem não é a ausência do medo, e sim a vontade de vencê-lo”. Não me recordo agora de quem é a autoria, mas para mim, não existe melhor definição de coragem. Ter medo é normal, todo ser humano tem. O que não pode acontecer é deixar o medo ser maior do que as coisas que precisam ser mudadas, vencidas.

O alto dá medo sim, lá tudo pode acontecer, o tempo é a natureza quem comanda e, essa, nenhum ser humano tem um dedinho mínimo de controle. Mas está cada vez pior viver aqui em baixo, no solo firme. O céu, comparado ao chão, é o lugar mais seguro do mundo. Lá, jovens, cada vez mais novos, crianças a bem da verdade, não morrem todos os dias envolvidos com drogas. Acidentes de avião acontecem, mas acidentes de motos são tão constantes como nascimentos.

As cobras são animais venenosos, perigosos e que provocam medo mesmo presas. Muito medo mesmo. Mas quantas cobras andam disfarçadas de ser humano por aí? Quantas pessoas roubam, matam, mentem, dissimulam, sacaneiam, humilham? Isso dá muito medo a mim. A vocês não? As cobras/animais pelo menos não pensam. Já o ser humano...

O escuro, famoso por deixar-nos às cegas, é um “metedor” de medo infalível. Mas tem gente que, sinceramente, eu prefiro ver no escuro. Não pela aparência, mas porque ,definitivamente, eu faço questão de nem ver mesmo. É muita falsidade pra uma pessoa só.
 Quanto ao medo do meu país e do mundo continuarem como estão, não vejo nenhum lado bom.

Acho que todo filho (a) tem medo de perder a mãe. Mas querendo ou não, uma hora isso vai acontecer. E vá por mim, você sofrer perdendo ela é melhor do que ela sofrer ao te perder. Porque nenhuma mãe merece se despedir de um filho para sempre. Por isso, trate de aproveitar cada momento com ela.

Medos de altura, de animais, de escuro e até mesmo de dentista – sim, por eles assustam – não chega nem perto de fatores que merecem relevância dentre nossos medos bestas. Medos bestas porque muitas vezes deixamos escapar a felicidade. Eu tenho medo sim de me machucar, acho que todos têm. Mas não é por isso que vou me fechar à vida. Por medo, deixamos de dizer aquilo que deu vontade, deixamos de fazer aquela viagem, de aceitar aquela proposta. Por medo deixamos tanta coisa passar. Acabamos por assinar nosso próprio contrato de infelicidade e isso me dá medo, mais do que tudo. 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Uma colinha para descontrair

"Feios porém lindos

As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Era um poeta maravilhoso, esse Vinicius de Moraes, mas deixou imortalizada uma frase que jamais sairia da boca de uma mulher. Aos feios, as mulheres dão boas vindas, desde que por trás do olho que não é azul e do corpo que não é atlético haja bom humor, inteligência e sex appeal. 

Nunca veremos Brad Pitt e George Clooney namorando feinhas, mas já vimos Julia Roberts casar com Lyle Lovatt, um músico que tinha o rosto decorados com crateras, e a estonteante Sharon Stone desfilar com baixinhos barrigudos até contrair matrimônio com um senhor que mais parece um boneco de cêra. Há quem defenda a idéia de que mulheres casam com qualquer um, desde que tenha poder ou dinheiro. Poucas. Não foi o caso de Julia Roberts nem o de Sharon Stone, ricas e poderosas por si só, e também não é o caso de muitas Lucias, Andreas, Cristinas, Danielas, Fernandas e Jussaras anônimas. Mulheres preferem ser amadas do que invejadas. 

Essa história de beleza tem a ver com atração, que tem a ver com "a primeira impressão é a que fica", que tem a ver com inícios de relações. Se a garota for um canhão, as chances de conquistar um deus são quase zero (é uma generalização, toda regra tem exceções). Já se o garoto for feio, porém espirituoso, talentoso e auto-confiante, pode descolar o número do telefone da Marisa Monte. Lembrem-se que ela já namorou o Nando Reis, dos Titãs. Alguma coisa ele tem de lindo. 

Mick Jagger é raquítico e branquela. Gerald Thomas é raquítico, branquela e usa óculos. Woody Allen é raquítico, branquela, usa óculos e está quase careca. Apesar desse quadro de horror, sei de muita mulher que não os expulsariam da sua cama. Será que elas nunca ouviram falar em Mel Gibson, Antonio Banderas, Pedro Bial? Elas nunca ouviram falar é que beleza garanta o conteúdo. 

Mulher tem faro, não se contenta com a embalagem. É bem mais comum ver uma mulher linda acompanhada de um homem aparentemente sem graça do que o contrário. Não é (só) porque a concorrência é implacável e nos contentamos com o que sobra. É porque mulher tem raio-x: consegue olhar o que se esconde lá dentro. Se além de um belo coração e um cérebro em atividade ele ainda for apetecível, é lucro. Pena que a recíproca raramente seja verdadeira. Economizaríamos fortunas em cabeleireiros e academias se os homens fossem direto ao que interessa, na alma e no espírito, para os quais não adianta maquiagem".

MEDEIROS, Martha.